21 de jun. de 2012

SUCAM

Mata Mosquito (Sucanero)
Foram as necessidades militares da Segunda Guerra Mundial que estimularam o governo e a indústria química norte-americanos a aplicar recursos nos estudos sobre a malária.

Esses interesses também envolviam o saneamento de áreas produtoras de matérias-primas para a indústria bélica, como a Amazônia e o vale do Rio Doce. Para sanear estas regiões e as cidades onde se localizavam as bases militares norte-americanas, criou-se, em 1942, o Serviço Especial de Saúde Pública (SESP).

Antes mesmo da assinatura formal do acordo militar com os Estados Unidos autorizando a instalação das bases, duas equipes de médicos militares percorreram o Nordeste e o Norte do país, analisando as condições sanitárias daquelas regiões e sugerindo políticas de saúde que preservassem os soldados das endemias locais.


“No Vale do Rio Doce as obras de saneamento se fizeram sentir de maneira altamente significativa no combate a malária e outras doenças. Os “guardas de Saúde” conhecidos como “Mata Mosquitos” desenvolvem permanentemente uma campanha enérgica contra os focos localizando-os e extinguindo-os, prestando assim um inestimável serviço às populações.”
 
Os relatórios produzidos por estas equipes retratam um quadro nosológico impressionante: malária, febre tifóide, disenterias, doenças venéreas, esquistossomose, peste bubônica, parasitas intestinais, tuberculose, varíola, tracoma, hanseníase, desnutrição e alto índice de mortalidade infantil estavam entre os problemas de saúde mais sérios identificados. Entretanto, estes estudos não foram feitos para orientar políticas de saúde para a população civil, mas para detectar quais doenças seriam ameaçadoras para as tropas norte-americanas no Brasil.

O sanitarista norte-americano Dunham (1941) foi muito objetivo em seu relatório, ao afirmar que, de todas as doenças existentes no Brasil, malária, disenterias, febre tifóide e doenças venéreas, eram as únicas que efetivamente constituíam ameaças para os militares que viriam dos Estados Unidos, sendo que a malária foi apontada como a doença mais perigosa para as tropas. A malária era endêmica em praticamente todos os estados do Norte e Nordeste e foi considerada um "problema militar" nos relatórios mencionados.

A preocupação militar com a malária deve-se ao caráter extremamente debilitante da doença, que provoca ataques febris, anemia extrema, deixa a vítima mais suscetível a outras doenças, e pode causar a morte. Uma pessoa atacada de malária é constantemente forçada a suspender suas atividades e, se a doença ataca uma comunidade, produz um maciço declínio da capacidade produtiva. Se a malária era capaz de incapacitar trabalhadores para atividades produtivas, seria também capaz de imobilizar um exército; daí a necessidade de controlá-la, pelo menos ao redor dos núcleos militares norte-americanos instalados no Brasil.
Fonte:
http://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010459701999000100004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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